quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Segundo Esquisso


Quinta Feira, 05 de Janeiro


(Sem remetente)

Eis aqui, jogados, todos os meus sentimentos. Eu não me dei ao trabalho de catar, ou colher, ou escolher os mais bonitos. Apenas joguei no chão desse quarto escuro. Tô dando uma geral em mim, e achei por bem tirar tudo, e ver se algo ainda pode me servir. E agora, olhando bem, muito dessa tralha toda não me serve mais. Tem um monte de feridas abertas que eu não me permiti cicatrizar, fui deixando em carne viva pra ficar lembrando, e agora, não quero mais. Vou cicatrizar tudo isso. Vou deixar cicatrizar. Tem uns cacos de vidro encravados na pele, que nunca tive coragem suficiente de extrair. É mais fácil se acostumar com a dor. Mas não hoje! Hoje eu vou arrancá-los um por um, na tora, e vou ficar melhor depois disso. Quanto às mágoas, os perdões pendurados na conta, esses eu ainda não sei como me livrar. Talvez deixe isso por ultimo, quando não faça mais tanta diferença. Daqui eu ainda vejo uns relacionamentos mal acabados, pessoas que saíram da forma errada, palavras ditas e mal pensadas. Esses faço questão de jogar bem longe e realmente esquecer. Nunca gostei de restos. Pra simplificar, vou jogar tudo fora. Acho mais fácil começar de novo. Tem muita coisa avariada. Parece que mil furacões passaram aqui e até colocar nome em tudo é difícil. Melhor renovar os móveis, o guarda roupa, pintar as paredes de outra cor, comprar uns lençóis novos. Vou reformar tudo, dar novas chances, me respeitar mais, silenciar mais. A gente tem mania de que tudo tem concerto, e isso não é verdade. Na maioria das vezes, o chiado da TV não para trocando a antena. Só uma nova no lugar.   

P.

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